O que é isso? De onde vem? Para quê?
E então começo a observar meu corpo. E percebo que é uma irritação que sobe pelos pés e pernas, e dá uma inquietação, um descoforto bem lá dentro; não tem posição que aquiete. É uma sensação conhecida, que já esteve presente em outro momento e que me incomodou muito...Quando a observo mais profundamente vejo que vem uma tristeza. Um choro...estar imobilizada, sem poder agir, sem ter o que fazer. Como assim eu não posso fazer nada? E então observo também estar contrariada, este lado que quer as coisas de um jeito e quando não sai deste jeito a coisa pega! Antes era birra, agora já estou um pouco grandinha pra isso...e então lá vem a tal irritação.
E quando entro mais em contato também percebo o medo. Medo que não quero sentir, que não sei como lidar e que é difícil indentificar. Medo do medo. E apenas respiro, aceitando aquele sentimento.
Quem é que respira neste momento? Quem lá dentro me permite esta pausa?
E então, volto para meus pés e pernas, e os sinto contraídos e se mexendo constantemente. Começa a emergir uma vontade de mudança e meu observador, sábio por sua vez, me lembra que agora é um momento de PAUSA. Apenas observar meus pensamentos, minhas revoltas e também meu contador de histórias. Observar conscientemente. Que trabalhoso para mim, agora, é a não ação.
Com a determinação do observador, consigo me manter presente durante a aula do meu grupo de Consciência Corporal, em que sou aluna, e foi onde todas estas coisas foram emergindo e se tornando mais claras. Fazer bolinha de tênis nos pés, escutar as pessoas, tocar o outro e ser tocada na coluna não foram tarefas fáceis hoje, tem este lado que não quer melhorar, quer me manter na irritação.
Quando faço o trabalho da articulação coxofemoral começo a me acalmar e me vem a memória destas pernas inquietas. Choro, medo...E então escuto: "Saia disto, você foi apenas contrariada, perceba e aceite" QUE RAIVA!!!
Pois é, é assim que saio da aula hoje. E percebo que consegui escutar e não agir, afinal alguma coisa tinha ali. Neste momento em que apenas escuto e percebo este sentimento que vem, também me permito a reconhecer, aceitar e assim sem entender muito bem a sensação vai mudando. Agora é hora de me acolher.
Consigo começar a me des-envolver deste processo e a lembrar das ferramentas que me ajudam nestes momentos. Minhas pernas estão ainda inquietas, mas agora retomei o meu poder de escolha e escolho continuar, dar o próximo passo. Amanhã quero estar atenta, cuidar deste corpo que está cheio de memórias. ATENÇÃO E INTENÇÃO.
Você tem momentos assim? De raiva? Irritação? Consegue se conscientizar dele? Observa seu corpo neste momento? Como este trabalho corporal pode te ajudar neste momento???
E termino assim hoje, com um último gole do chá de Pamplemousse que ganhei de minha querida amiga e aluna, Clara, com gratidão ao seu carinho e incentivo. (www.conscienciadeser.blogspot.com)
Boa noite!!!